Depois de um desempenho destacado no 3º trimestre, o PIB da agropecuária deve desacelerar nos últimos três meses do ano, na margem e na comparação com o mesmo intervalo de 2010, de acordo com analistas. Isso porque a produção dos principais itens que pesam na formação do índice do período - trigo, fumo e carne bovina - deve ser reduzida.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária subiu 3,2% no terceiro trimestre, na margem. Na comparação com o terceiro trimestre de 2010, houve aumento de 6,9%. A agropecuária representa 5,3% do total do PIB nacional; a indústria 28,1%; e o setor de serviços, 66,6%.
Amaryllis Romano, analista da Tendências Consultoria, avalia que o PIB agropecuário deve ser "fraco" no quarto trimestre de 2011, apesar de ainda positivo, por conta da queda na produção de trigo, e do desempenho dos segmentos de carnes e fumo. "O trigo não vem bem e a pecuária, apesar da recuperação do preço, registrou queda no abate. Devemos, portanto, ter um crescimento mais baixo", afirmou. No caso do trigo, a produção nacional recuou 13,8% neste ano, para 5,07 milhões de toneladas, na comparação com o ano passado, de acordo com estimativa da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab). A colheita terminou neste início de dezembro.
A analista observou que a quebra de quase 10% na safra de cana-de-açúcar fez com que a cultura freasse a alta do PIB agropecuário no terceiro trimestre e deve ainda impactar negativamente o resultado do último trimestre de 2011. "A colheita praticamente já acabou por falta de cana e o impacto será negativo de novo", ressaltou.
Thaís Zara, economista-chefe Rosenberg Associados, prevê um PIB agropecuário ligeiramente negativo no quarto trimestre, na margem, e uma taxa interanual mais baixa, mas ainda positiva. "Haverá uma acomodação no quarto trimestre", disse.
Embora no terceiro trimestre a agropecuária tenha tido melhor desempenho que o PIB total do País, no acumulado do ano (+2,8%) o resultado está abaixo do índice nacional (+3,2%). A economista do IBGE Amanda Tavares ressaltou que, visto num intervalo de tempo mais longo, o PIB agropecuário mostra influências negativas de setores como pecuária, silvicultura e pesca, cuja produção física cedeu. "Esses setores impediram que o PIB agro tivesse um desempenho mais expressivo", afirmou.
2012
Se o clima ajudar, a tendência para o PIB agropecuário em 2012 é de crescimento, mas em patamar inferior ao registrado em 2011, na avaliação da analista Amaryllis Romano, da Tendências. "O plantio foi bom e a tecnologia aplicada será melhor para o próximo ano", disse. "Mas não será igual a 2011, quando o custo do plantio foi baixo, o clima ajudou e comercialização da maior parte da produção ocorreu a preços ainda altos", disse.
Fonte: G1.com
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