
FIGURA 1. (A) Mamona (Ricinus communis); (B) Pinhão-manso.
Entende-se por sistema de alimentação o conjunto de informações necessárias para a elaboração de dietas e estratégias de alimentação que contemplem as exigências nutricionais de bovinos para produção econômica de leite, sua manutenção, crescimento e reprodução em diferentes ambientes. A alimentação do rebanho leiteiro representa em geral 50% ou mais dos custos totais de produção de leite. Para reduzir perdas e aumentar a eficiência na utilização dos alimentos, deve-se formular dietas que possibilitem melhorar a eficiência alimentar e permitir maximização do suprimento de nutrientes Nos sistemas mais intensivos a alimentação participa com até 60% do custo total produção e a mão de obra representa de 10 a 30% destes custos. Nos sistemas mais extensivos, o custo representa uma parcela muito menor. As contribuições das forrageiras tropicais se diferem daquelas temperadas nas proporções de seus conteúdos fibra e nutrientes, que são influenciados por fator climático e de manejo. Além disso, ocasionalmente novos alimentos são disponibilizados para ruminantes, a maioria desses subprodutos da agroindústria que precisam ter sua utilização validada, bem como serem determinados seus limites de uso e valor nutritivo para incorporação em rações.
Existem diversos co-produtos de biodiesel, distribuídos em todo Brasil incluindo torta e farelo que podem ser aproveitados racionalmente na alimentação de animais ruminantes, porém a mamona e o pinhão manso necessitam de um processo prévio de destoxificação ou desalerginação para o seu aproveitamento na alimentação animal e este poderá onerar o preço final do produto isto é justificável, pois todo processo químico demanda reagente além de transporte para o seu beneficiamento.
Na hora da escolha dos componentes da dieta é importantíssimo considerar a disponibilidade do co-produto na região, pois o transporte poderá inviabilizar a sua utilização na formulação da ração. Portanto a escolha dependerá da disponibilidade na região e do retorno econômico em termos de produção de leite.
1. MAMONA (Ricinus communis):
Índia, China e Brasil são os três principais países produtores, em área de produção de mamona. No Brasil destaca-se o estado da Bahia como maior produtor desta oleaginosa, com aproximadamente 92% da produção Nacional. Segundo o zoneamento agro-ecológico elaborado pela EMBRAPA Algodão, foi identificado na Região Nordeste 452 municípios aptos para o cultivo desta oleaginosa. Desse total, 189 municípios estão localizados no Estado da Bahia, representando 41,8%.A mamoneira é cultivada tradicionalmente em praticamente todo o estado da Bahia, concentrando-se nos territórios Irecê e Chapada Diamantina. O cultivo é feito, em grande parte, por agricultores familiares, que utilizam a mamoneira como cultura principal, em consórcio com cultivos alimentares.
A extração do óleo da semente ou da baga (semente descascada) é realizada por meio de máquinas que promovem a prensagem, a frio ou a quente, ou ainda pela extração utilizando solventes. Do esmagamento da mamona, obtém-se, como produto principal, o óleo e, como co-produto, a torta de mamona.
O ciclo de produção da mamona é de 100 a 300 dias, com uma produtividade de 1500 (Kg/ha/ano) de grão e 660 (Kg/ha/ano) de óleo. O teor de óleo presente na mamona é de aproximadamente 44%.
A mamona (Figura 1(A)) apresenta um bom percentual de proteína (23,30 %), porém sua digestibilidade é muito baixa (38,57 %), porém esta baixa digestibilidade não interfere na escolha da mamona como ração animal, o inconveniente seria a adição de mais uma etapa para a transformação em alimento animal, a destoxificação. O co-produto de mamona possui alta concentração de zinco e manganês e baixa concentração de ferro, bem como fibra bruta para a amostra analisada (Tabelas 1 e 2).
2. PINHÃO MANSO (Jatropha curcas L.):
O pinhão manso (Figura 1 (B)) é um arbusto ou árvore com até quatro metros de altura, flores pequenas, amarelo-esverdeadas, cujo fruto é uma cápsula com três sementes escuras, lisas, dentro das quais se encontra a amêndoa branca, tenra e rica em óleo. A semente contém 66% de cascas, fornece de 50 a 52% de óleo extraído com solventes e 32 a 35% em caso de extração por expressão (trituração e aquecimento da amêndoa). A semente do pinhão-manso pesa de 0,48 a 0,72 g.
O pinhão-manso tem folhas em forma de coração. Essa planta ocorre espontaneamente desde o Maranhão até o Paraná. Sendo uma cultura existente de forma espontânea em áreas de solos pouco férteis e de clima desfavorável à maioria das culturas alimentares tradicionais, o pinhão-manso pode ser considerado uma das mais promissoras oleaginosas do sudeste, centro-oeste e nordeste do Brasil, apresentando ainda como vantagens o fato de não ser afetado (até o presente) por nenhuma praga. Sua produção é perene, sendo sua produtividade de 8000 (Kg/ha/ano) de grão e 3200 (Kg/ha/ano) de óleo.
Os co-produtos de pinhão manso apresentam um grande potencial para a utilização como alimento para ruminantes mediante uma destoxificação prévia, pois eles apresentam uma boa porcentagem de proteínas (35,58 %), e uma digestibilidade moderada da matéria seca (60,23 %), com percentual considerável de fibra bruta para as amostras analisadas, além de altos teores de cobre manganês e ferro (Tabelas 1 e 2). Na Tabela 3, a composição do grão e torta do Pinhão Manso, o que demonstra o mesmo ser uma boa fonte de energia, proteína e fibras.



3. Considerações Finais
Com base nos resultados obtidos acima neste trabalho, conclui-se que existem diversos co-produtos de biodiesel, distribuídos em todo Brasil incluindo torta e farelo que podem ser aproveitados racionalmente na alimentação de animais ruminantes, porém a mamona e o pinhão manso necessitam de um processo prévio de destoxificação para o seu aproveitamento na alimentação animal e este poderá onerar o preço do produto final isto é justificável pois todo processo químico demanda reagente além de transporte para o seu beneficiamento. É importantíssimo considerar a disponibilidade do co-produto na região, pois o transporte poderá inviabilizar a sua utilização na formulação da ração. Portanto a escolha dos componentes da dieta dependerá da disponibilidade na região e do retorno econômico.