O aumento do custo de produção e o crescimento das importações foram apontados como os fatores responsáveis pela diminuição da renda dos produtores de leite nos últimos anos no Brasil. O estudo foi apresentado pelo assessor técnico da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Bruno Barcelos Lucchi, durante audiência pública sobre a cadeia produtiva do leite, realizada nesta sexta-feira (27) na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado.
De acordo com o técnico da CNA, de abril de 2010 a abril deste ano, o custo de produção da pecuária leiteira subiu 13,47%. Só em 2011, o aumento foi de 6%. Segundo Lucchi, entre os componentes que mais influenciam esse custo, a ração, que representa cerca de 40% do total do custo, foi o item que mais subiu. Na sua avaliação, o fato é atribuído a valorização de 14% nos preços internacionais do milho e da soja, provocada pelo crescimento da demanda dos países asiáticos, além de adversidades climáticas nos principais países produtores destes grãos. A mão de obra também contribuiu para o incremento do custo de produção.
Ele explicou que o estímulo à produção de leite ocorre mediante boa remuneração ao produtor. Dessa forma, o aumento do custo de produção desacompanhado de uma elevação do preço pago ao produtor compromete a quantidade produzida. "Isso reflete diretamente no índice de captação do leite, que em março deste ano caiu 2,1%, em comparação com o mesmo mês de 2010", disse Bruno Lucchi.
Em relação ao cenário internacional, o assessor técnico afirmou que os produtores brasileiros de leite enfrentam o crescimento da importação de leite em pó de países como a Argentina e o Uruguai. Além disso, o câmbio valorizado desfavorece as exportações brasileiras. Depois de um período de saldos positivos da balança comercial de lácteos, entre 2004 e 2008, o Brasil voltou a apresentar déficits a partir de 2009, quando os países afetados pela crise financeira internacional diminuíram as importações de lácteos.
Desta forma, os países vizinhos ampliaram suas vendas para o Brasil, o que resultou em um surto de importação de leite em pó em 2009. Antes da crise financeira mundial, em 2008, o Brasil importava, em média, cerca de 1,8 mil toneladas por mês da Argentina. Com os efeitos da crise, esse número saltou para quase 10 mil toneladas de leite em põem janeiro de 2009.
Graças a um acordo de cotas e preços realizado entre Brasil e Argentina, as importações foram limitadas em torno de três mil toneladas/mês. No ano passado o acordo foi renovado, mas vence em maio deste ano. A CNA solicitou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) a renovação do acordo, mas devido a alterações no quadro técnico do ministério, o pleito ainda será analisado. Em razão disso, o acerto entre os dois países será prorrogado até julho próximo.
No que se refere à questão da qualidade do leite no Brasil, o técnico da CNA destacou o trabalho que o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) vem realizando com os produtores rurais. "O Senar treinou nesses últimos cinco anos cerca de 3,3 mil trabalhadores da cultura bovina de leite e isso está contribuindo para a melhoria da qualidade do produto aqui no Brasil", disse.
Além da CNA, participaram da audiência pública técnicos do Mapa, do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Fonte: Leite & Negócios
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