Uma onda de aumentos de preços nos alimentos levou ao fortalecimento da inflação percebida por famílias de baixa renda, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Classe 1 (IPC-C1), que saltou de 0,11% para 0,50% de outubro para novembro. O indicador apura a inflação entre famílias com renda até 2,5 salários mínimos mensais.
Um dos fatores que conduziram essa aceleração nos preços dos alimentos é o aumento da demanda por famílias mais pobres. As despesas com alimentação representam 40% do orçamento mensal dos pesquisados para o indicador, lembrou o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV) André Braz. No IPC-BR, também calculado pela fundação e que abrange famílias com renda maior, de até 33 salários mínimos, este porcentual atinge em torno de 28%. "Com o mercado de trabalho ainda com bom desempenho, e resultados positivos na renda, estas famílias têm maior poder aquisitivo para incorporar mais o consumo de alimentos, e de serviços relacionados", afirmou.
Entre os destaques de produtos com preços em aceleração citados pelo economista estão aves e ovos (0,49% para 0,85%); carnes bovinas (de 0,78% para 2,51%); e serviços de restaurante (de 0,36% para 0,67%). Com isso, os preços dos alimentos saíram de uma queda de -0,16% para elevação de 0,63% de outubro para novembro.
Os preços in natura foram determinantes para o resultado. Houve fim de deflação em frutas (de -1,11% para 1,04%) e em hortaliças e legumes (de -3,04% para 1,71%). Mas o especialista frisou que, apesar do impacto expressivo dos in natura, os aumentos de preços estão "muito espalhados" dentro do setor de alimentação. O técnico fez um exercício, calculando a variação dos preços dos alimentos em outubro e em novembro excluindo os itens in natura. Caso este tipo de produto fosse retirado do cálculo, os preços dos alimentos teriam saído de uma queda de 0,33% para uma alta de 0,45% de outubro para novembro. "Há muito mais do que in natura subindo dentro de alimentação", reiterou.
Para dezembro, os alimentos devem continuar a pressionar o indicador, com a mesma magnitude registrada em novembro. Tanto que a taxa do IPC-C1 deve ficar em torno de 0,50% novamente, de acordo com André Braz. Isso deve conduzir a uma taxa anual de cerca de 5,5% para o índice em 2011, abaixo do desempenho de 2010 (7,33%).
Fonte: G1.com
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