As vacas ganham peso, produzem mais leite e se reproduzem com maior eficiência. O custo por litro de leite diminui, assim como o uso de mão de obra. Essa situação normalmente perdura até o início do outono.
A falta de chuvas e a predominância de temperaturas mais baixas, próprias do inverno, restringem em muito a alimentação do rebanho leiteiro em regime de pasto. O produtor não especializado fica à mercê do tempo. Entretanto, não há mais espaço para o amadorismo.
Várias ações podem e devem ser implementadas, como o uso de alimentos conservados na forma de silagem ou feno, pastagens de clima temperado ou a irrigação. Mas essas alternativas são dependentes de investimentos em máquinas, equipamentos, mão de obra e disponibilidade de água, inviabilizando a adoção das práticas por muitos produtores.
O uso da cana na alimentação de vacas leiteiras também é alternativa bastante viável no período de estiagem. Apesar de ser um alimento com menor teor de nutrientes e menos digestível do que as pastagens tropicais bem manejadas, a cana tem inúmeras vantagens.
A tecnologia de produção é dominada. As condições climáticas do verão, quente e úmido, são propícias para o desenvolvimento da cultura, enquanto o inverno seco favorece a maturação.
Outros pontos positivos são a alta produção por área, o baixo custo por quilo produzido, a disponibilidade de mudas e o fato de não ser necessário conservar, uma vez que está pronta para uso na época de maior necessidade de alimento (inverno). Qualquer produtor pode manter uma área coma cultura em sua propriedade.
Alguns cuidados devem ser tomados no uso da cana: optar por variedades mais produtivas e resistentes; fornecer cana fresca, despalhada e bem triturada; limpar os cochos diariamente; adicionar uma fonte de nitrogênio (ureia pecuária) para otimizar o processo digestivo. E também aumentar o teor de proteína, lembrando de realizar a adaptação para evitar a intoxicação, e fazer o balanceamento da dieta.
O produtor precisa estar consciente de que essa alternativa requer uso mais intensivo de mão de obra, planejamento, adequação. Entretanto, é uma solução que contribui para viabilizar a pequena propriedade, pois permite a produção de grande volume de alimento em uma pequena área. Além disso, não requer elevados investimentos em máquinas e equipamentos e tem um custo menor do que os alimentos conservados, como a silagem de milho e outros.
A matéria é de Marco Bergamaschi (é veterinário, doutor e responsável pelo Sistemade Leite da Embrapa Pecuária Sudeste (São Carlos - SP)), da Folha, adaptada pela Equipe MilkPoint.
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