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Controle leiteiro: prática agrega valor e ajusta atividade

PostDateIcon ter, 03/05/2011 - 16:41

Acompanhar a evolução produtiva de cada vaca do rebanho. A prática de controle leiteiro ainda não é executada de forma intensa no Brasil, apesar de representar a busca pela qualidade e rentabilidade da atividade. Três ações essenciais compõem o controle leiteiro: acompanhamento das ordenhas, tabulação de dados e verificação qualitativa de amostras de leite. Um relatório, contendo estas informações, é a base de um relatório final, que descreve a produtividade dos animais e a composição do produto.

No Brasil, os indicadores utilizados são ditados pela Instrução Normativa 51, que tem como referência, normas internacionais. Entretanto, as ênfases sobre o controle leiteiro pode variar de acordo com a localidade. Na Holanda, a qualidade do leite é o quesito de mais importância. Já na Europa, a contagem de células somáticas (CCS) é de 350.000 células/ml, quando na Holanda, não passa de 250.000.

Enquanto no Brasil, o interesse do produtor em executar a prática é o maior entrave, na Holanda, a adesão à este tipo de controle tornou-se estratégia de mercado obrigatória. Afinal, por trás da obrigação estavam as intenções de exportação de lácteos e também de sêmen de raças leiteiras. Hoje, além do controle oficial, cerca de 45% dos produtores holandeses têm seus próprios controles.

INDICADORES HOLANDESES

O controle reprodutivo, assim como o alimentar e sanitário, também deve ser analisado junto às informações de produtividade e qualidade. Prejuízo em muitas fazendas leiteiras brasileiras, o intervalo entre partos, que no Brasil é elevado devido à má nutrição, infecções de útero e falhas na detecção de cio; é prioridade na Holanda. É regra: se a vaca não cumpre o estabelecido, médias de produção superiores a 35kg/vaca/doa, o destino do animal é o descarte.

De acordo com Wiliam Tacbvhoury, gerente de Produto Leite da CRV Lagoa, uma central de origem holandesa, o laboratório que recebe as amostras de leite holandesas têm duas funções: “Fornece suporte à indústria de laticínios, realizando testes de qualidade e sanidade quanto à composição do leite, e para área de melhoramento genético, com informações individuais das vacas e seus índices econômicos, como gordura, proteína e lactose”, cita.

As amostras são coletadas diariamente e o laboratório analisa entre 40.000 e 50.000 amostras/dia, o que totaliza cerca de 12 milhões por ano. Cerca de 1.350.000 vacas da Holanda e Bélgica passam pelo controle leiteiro a cada ano. Isso significa que 85% das vacas participam deste processo.

NO BRASIL
Para o presidente do Conselho Técnico da Associação Brasileira dos Criadores Bovinos da Raça Holandesa, Altair Valotto, o Brasil deveria estabelecer um programa que amplie o controle leiteiro oficial das várias raças leiteiras exploradas no País. “Para isso, é preciso reduzir os custos do serviço”, destaca.Uma ação conjunta entre as associações de criadores seria o primeiro passo para este objetivo.

O zootecnista Limírio César Bizinotto, técnico da Associação Brasileira de Criadores de Girolando, conta que há seis anos a entidade obteve junto ao Ministério da Agricultura, permissão para que seus 1.700 criadores realizassem controle leiteiro supervisionado. Com isso, o produtor faz suas pesagens mensalmente, envia os números para a associação e está sujeito a até três supervisões anuais, subsidiadas pela organização. “Um técnico da entidade faz o roteiro anual e visita essas propriedades, com o controle leiteiro que serve de baliza para avaliar a credibilidade das informações fornecidas pelos produtores”, explicou.

O produtor, por iniciativa própria, utiliza a rede de laboratórios credenciada para analisar o leite que produz. Porém, para o superintendente técnico da Associação dos Criadores de Gado Holandês de Minas Gerais, Cliocy de Mendonça Júnior, expandir este procedimento, no mesmo modelo adotado pelos produtores holandês, não seria tão eficaz. “Tenho dúvidas, pois temos cultura diferente, na qual pessoas querem sempre levar vantagem, o que pode comprometer a confiabilidade do serviço”, diz.

O controle leiteiro a partir do produtor também é questionado pela qualidade da informação fornecida, além da necessidade de apoio técnico e recursos financeiros. “Sabendo que o negócio leite tem custo alto, e que o controle leiteiro é mais um componente, é preciso dar credibilidade ao produtor, ao mesmo tempo em que se disponha de ferramentas que possam aferir qualquer desvio. Com isso, pode-se viabilizar o maior número de informações, visando mensurar o controle, para fins de pesquisa e estatística”, cita Limírio César Bizinotto.

O presidente da Gadolando, do Rio Grande do Sul, José Erneste Wunderlich Ferreira, destaca a falta de dados concretos sobre a produção brasileira. “Não tempos uma média de produção que realmente mostre a potencialidade do produtor de leite profissional do Brasil. Os números divulgados pelo UBGE estão fora da realidade do produtor. Precisamos coletar mais dados, ter mais vacas em controle. Mas para isso devemos ofertar um custo menor pelo serviço, que não comprometa a condição financeira dos produtores”, considera.
 

Fonte: Leite e Negócios

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