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Deputado português fala sobre o perigo de acordo com o Mercosul para o setor lácteo no Brasil

PostDateIcon ter, 19/04/2011 - 16:26

“Pior do que o fim das quotas leiteiras é a probabilidade dos acordos com os Países do Mercado Comum do Sul - MERCOSUL, incluírem a importação de produtos lácteos sem qualquer imposto alfandegário. Os atuais acordos já incluem a carne bovina, porém, existe uma grande pressão externa para o setor de laticínios fazer parte destas negociações”, refere o deputado regional social-democrata António Ventura, em artigo de opinião publicado no Diário Insular, de Portugal.

Neste momento, o Mercosul é a região do mundo com maior capacidade de crescimento da produção de leite. A título de exemplo e para se perceber o potencial de crescimento, basta verificar que o Brasil possui uma produtividade média por vaca de cerca de 2000 litros/vaca/ano, enquanto a média Comunitária cifra-se nos 8000 litros/vaca/ano. Ou seja, o Brasil está à espreita de uma oportunidade para aumentar a sua produção e encontra na Europa um mercado apetitoso de comercialização.

Em 2010 a produção brasileira subiu quase 7%, ainda sem a abertura das fronteiras ao espaço europeu.

Os perigos deste livre comércio biregional existem no fato das importações de certos produtos agrícolas, gradualmente, substituírem a produção doméstica e com isto terminar a principal função da agricultura, a produção de alimentos no espaço comunitário.

Os produtos agrícolas importados passam a entrar a preços cada vez mais baixos na União, pressionando para uma evolução dos preços internos na mesma direção, podendo, no efeito, tornar-se insustentável manter algumas atividades agrícolas, essencialmente as de caráter pecuário.

Note-se que os Países do MERCOSUL não dispõem das mesmas exigências legislativas ao nível ambiental, dos transgênicos, da utilização de hormonas, nas normas de bem-estar animal, do uso do solo, e dos fitofármacos. Uma ausência de rigor que diminui a proteção do consumidor em termos de segurança alimentar e desvirtua as boas regras do comércio justo.

A grande questão reside aqui, ou seja, na urgente uniformização dos critérios produtivos. Uma exigência que a UE não pode ceder, nem pode utilizar a agricultura como moeda de troca. A vantagem competitiva deste bloco de Países verifica-se na grandeza da extensa atividade pecuária associada aos baixos custos de mão-de-obra, sendo estes dois, fatores responsáveis pelas grandes dinamizações das exportações. Um modelo social muito diferente do Europeu, que em alguns casos utiliza-se mão-de-obra infantil e troca-se uma hora de trabalho por uma tigela de mandioca.

 Fonte: matéria adaptada jornal Diário Insular

   PostTagIcon Categoria: Notícias

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