O encontro entre os cinco estados que mais produzem leite no País – Goiás, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina- discutiu, entre outros temas, as importações de leite e de soro de leite uruguaios. De janeiro a julho deste ano, o Uruguai exportou para o Brasil 18,8 mil toneladas de produtos lácteos, representando 30% do volume total de lácteos importados pelo País.
De acordo com o vice-precidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Nelton Rogério de Souza, a situação caracteriza uma crise no setor. Os argumentos de Nelton são exemplificados pela queda de 6% no preço pago ao produtor em julho, enquanto os produtos lácteos no varejo subiram. “Algo está errado quando os preços pagos aos produtores rurais, no campo, continuam caindo e o preço dos produtos lácteos – em especial queijos e leite em pó – crescem 1,5% e 1%, respectivamente, nos três últimos meses, de acordo com o INPC”, observou.
Facilidades das importações
Em julho, as compras de soro de leite do Uruguai foram de 4,5 mil toneladas, volume superior 86% à média do ano passado. O país vizinho aproveita o mercado de quase 200 milhões de consumidores brasileiros e despeja sua safra de lácteos, principalmente o leite em pó, no mercado nacional.
A liberação do mercado brasileiro de lácteos ao Uruguai faz parte de um acordo firmado no início do ano entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e José Mujica. O Uruguai se comprometeu a retirar as restrições sanitárias impostas à carne de frango brasileira em troca da livre exportação de lácteos ao Brasil. Ao contrário do presidente do Brasil, o representante do país vizinho, para preservar o mercado local, estabeleceu cotas de participação para o ingresso da carne de frango brasileira no Uruguai. Os lácteos uruguaios, porém, têm acesso livre ao Brasil.
Por conta dessas anomalias, o saldo da balança comercial de lácteos é francamente desfavorável ao Brasil. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o Brasil exportou US$ 13,4 milhões e importou US$ 28,7 milhões no último mês. No acumulado do ano, o déficit é de US$ 85,8 milhões, valor 108,3% maior que em igual período de 2009. A melhora nos preços das commodities lácteas em relação ao ano passado contribuiu para elevar o valor das importações, porém não foi atrativo o suficiente para ampliar as exportações, que caíram 27,23% em volume, nos primeiros sete meses do ano.
O leite uruguaio chega ao país custando aproximadamente R$ 0,63 o litro, contra um preço médio nacional de R$ 0,72. O vizinho tem a seu favor isenção de impostos, bons solos, clima e subsídio. As importações têm subido de maneira acelerada: foram de US$ 152,7 milhões em 2007 para US$ 213,1 milhões em 2008; US$ 264,8 milhões no ano passado e US$ 175,1 milhões apenas no primeiro semestre deste ano.
Fonte: Leite&Ngócios
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