A mudança de trajetória nos preços dos alimentos no varejo (de -0,13% para 0,85%) levou ao avanço da segunda prévia do IGP-M, que saltou de 0,33% para 0,52%, de agosto para setembro. Segundo o coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Salomão Quadros, embora o varejo represente 30% do total da inflação calculada pelos IGPs (enquanto o atacado tem fatia de 60%) a arrancada nos preços percebidos pelo consumidor foi tão forte (de 0,08% para 0,52%) que acabou por nortear o avanço da taxa da segunda prévia.
No varejo, foi possível encontrar aumentos de preços tanto em itens in natura como em alimentos processados. Quadros comentou que as altas de preço foram bem espalhadas entre diferentes gêneros alimentícios, no setor varejista, na segunda prévia de setembro. Como exemplos, o especialista citou acelerações de preços em hortaliças e legumes (de 2,18% para 6,12%) e em laticínios (de 0,65% para 1,16%), da segunda prévia de agosto para igual prévia em setembro.
Quadros explicou que, na prática, o que ocorre no momento entre os alimentos no varejo é o repasse de altas registradas nos preços de alimentos mais processados no atacado. No entanto, este repasse ocorre com defasagem; atualmente, os preços dos itens agrícolas não sobem mais de forma tão intensa. Tanto que a inflação dos alimentos processados no atacado desacelerou de 3,07% para 1,25% da segunda prévia de agosto para igual prévia em setembro. As matérias-primas brutas agropecuárias, que representam as commodities, também desaceleraram no atacado (de 1,61% para 1,45%) no mesmo período. "O que notamos hoje é um distanciamento entre o que ocorre nos produtos agrícolas no atacado; e os alimentos no varejo", resumiu. No entanto, reiterou que repasses de aumentos nos preços do atacado para o varejo nem sempre são imediatos.
Comportada - A segunda prévia do IGP-M de setembro, que subiu 0,52%, aponta para uma evolução mais comportada para as taxas mensais da inflação medida pelos Índices Gerais de Preços (IGPs), na avaliação de Salomão Quadros.
Embora seja mais forte do que a apurada em igual prévia do mesmo indicador em agosto (0,33%), para o especialista a elevação sinaliza taxa positiva para o índice de setembro, mas não tão intensa como as apuradas no passado.
Na prática, a segunda prévia segue em linha com resultados mais recentes dos indicadores da família dos IGPs, que também apontavam para taxas mensais positivas abaixo de 1% para os próximos meses."Nesta prévia, fica evidente que a inflação dos IGPs está em uma faixa bem afastada dos resultados dos indicadores em iguais períodos no ano passado", disse, lembrando que, no último trimestre do ano passado, estes indicadores apresentaram taxas mensais sucessivas acima de 1%, pressionadas por uma onda de elevações nos preços das commodities agrícolas, naquele período.
Fonte: G1.com
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