Washington, 17 - Uma equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou hoje que os altos preços dos alimentos "chegaram para ficar" e provavelmente vão impactar a inflação de países mais pobres. "O mundo vai ter de se acostumar com preços de alimentos mais altos", afirma artigo do departamento de pesquisa do FMI, escrito por Thomas Helbling e Shaun Roache.
"Os formuladores de políticas - especialmente nos países emergentes e nas economias em desenvolvimento - provavelmente terão de continuar enfrentando os desafios apresentados pelos preços dos alimentos, que estão mais altos e mais voláteis do que o mundo estava acostumado", diz o texto.
O clima desfavorável e a forte demanda foram os principais estímulos para o preço da comida subir, de modo que o índice do FMI atingiu o maior nível desde 2008. Como as cotações de alimentos e energia costumam ser voláteis, geralmente são excluídas de alguns cálculos de inflação, fazendo com que sejam menos notados pelas autoridades de política monetária. "De qualquer forma, a as principais razões para o crescimento da demanda por alimentos refletem mudanças estruturais na economia global que não serão revertidas", dizem os especialistas.
Helbling e Roache recordam que, nos países emergentes e em desenvolvimento, aumentou a parcela da renda das famílias gasta com alimentos. "O salto dos preços da comida deve perturbar as expectativas de inflação e despertar pedidos de aumento de salário", mesmo que as cotações internacionais se estabilizem.
O grupo avalia que talvez uma das mais importantes explicações para a tendência de alta dos preços de alimentos é a de que a renda dos consumidores em economias emergentes e em desenvolvimento está aumentando e, consequentemente, mudando sua dieta. "Especialmente nessas economias, os consumidores estão comendo mais alimentos com alto teor proteico, como carne, laticínios, óleos, frutas, vegetais e frutos do mar", observam.
Segundo os pesquisadores, é por isso que o FMI tradicionalmente recomenda que os países acomodem a primeira rodada de efeitos diretos provocados pela alta das commodities na inflação, mas que estejam preparados para apertar a política monetária e evitem uma segunda rodada de impactos. A equipe do FMI afirma que, ao longo do tempo, pode-se esperar que o crescimento da oferta responda à elevação dos preços, reduzindo as pressões sobre os mercados de alimentos. "Mas isso vai levar anos, e não meses".
Os custos de produção, inclusive com energia, água e terra, também devem subir, diante de uma crescente escassez desses recursos, embora a tecnologia e o aumento da produtividade possam compensar tais limitações, diz o artigo de Helbling e Roache. As informações são da Dow Jones
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