A preocupação com os índices crescentes de importação do leite e os problemas enfrentados pelos produtores ao longo de toda a sua cadeia produtiva foram os principais temas discutidos durante o debate público "Política Nacional para a Cadeia Produtiva do Leite", realizado pela Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta segunda-feira (12).
O secretário de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Elmiro Nascimento, lideranças expressivas do setor, além de deputados estaduais e federais, ouviram e debateram com produtores de leite.
O presidente da comissão, deputado estadual Antônio Carlos Arantes (PSC), disse que o debate também tinha o objetivo de subsidiar a Subcomissão do Leite da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG). A subcomissão busca avaliar e propor políticas e ações para ampliar a produção leiteira no País e está debatendo o tema em todos os Estados.
Arantes defendeu a adoção de ações protecionistas para os produtores de leite. "1,2 milhão de produtores de leite no Brasil têm vivido de maneira escrava. Se algum deles acha que está lucrando, é porque não sabe fazer conta", argumentou. O parlamentar destacou outro problema que vem contribuindo para aumentar o prejuízo dos produtores: a pressão política e econômica dos importadores para aumentar as compras de leite em pó do Mercosul.
"Precisamos de uma política tributária mais justa e vamos pleitear uma audiência com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, para discutirmos a questão da importação do leite. Precisamos estimular o consumo do produto nacional", afirmou Domingos Sávio.
Antônio Carlos ressaltou que, além da importação, o produtor tem enfrentado outros problemas que merecem a atenção: tributação, produtividade e qualidade. "É preciso reduzir a tributação, fortalecer as cooperativas e investir em extensão rural para melhorar a qualidade dos rebanhos e do leite produzido para que o produtor consiga lucrar com essa atividade", sugeriu Arantes.
O fortalecimento das cooperativas e uma política tributária mais favorável para o produtor, inclusive para ampliar sua competitividade com os mercados de outros estados, também foi a tônica do pronunciamento do gestor da Minas Leite (Associação das Cooperativas de Leite do Sudoeste Mineiro), José Américo de Oliveira Simões, mais conhecido como Manuelito. A Minas Leite representa oito mil produtores e comercializa, em nome deles, 1,5 milhão de litros por dia, negociando de forma a manter o preço estável o ano inteiro. "Iniciativas como essa devem ser estimuladas", salientou Antônio Carlos. Manuelito representou o Sindicato e Organização das Cooperativas de Minas Gerais (Ocemg).
O vice-presidente da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial, deputado estadual Fabiano Tolentino (PRTB) sugeriu, dentre outras medidas, a melhoria genética do rebanho par aumentar a produtividade e a qualidade do leite no Estado. Participaram do evento os deputados estaduais Bosco (PTdoB), Liza Prado (PSB) e Adelmo Carneiro Leão (PT). Vilson Luiz da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura e Pecuária do Estado (Fetaemg) também compareceu ao debate.
A matéria é do Correio dos Lagos, resumida e adaptada pela Equipe MilkPoint.
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Embrapa Gado de Leite e Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais
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