Após sete anos de luta na justiça, o processo judicial liderado pela empresa camaronesa Codilait chegou finalmente ao fim em meados de Julho .
A filial da Nestlé nos Camarões e cinco empresas locais foram condenadas a pagar um total de cerca de 1,1 milhões de euros à Codilait por concorrência desleal pelo tribunal de primeira instância de Wouri Douala.
Apesar da Nestlé já ter manifestado intenções de recorrer da sentença, o patrão da empresa camaronesa Codilait, Pius Bissek, manifestou confiança redobrada na justiça do seu país após a condenação do gigante suíço do sector alimentar.
A primeira empresa a fabricar leite condensado nos Camarões viu o seu negócio ir por água abaixo após a desvalorização do franco CFA em 1995. Com a desvalorização da moeda e a necessidade de importação de matérias primas para a fabricação do leite condensado, o Super Milk passou a ser vendido ao dobro do preço praticado antes da alteração do valor da moeda camaronesa.
Com a entrada de novas marcas no mercado camaronês, nomeadamente o Gloria da Nestlé, que era vendido a quase metade do preço do Super Milk, Pius Bissek mandou analisar os produtos da concorrência.
Foi nessa altura que descobriu porque é que os seus concorrentes conseguiam praticar preços baixos.
Em vez de gordura animal, conforme as especificações do produto, os concorrentes usavam gorduras vegetais na fabricação do leite condensado, nomeadamente de Palma, de coco e de soja.
Encorajado por um amigo advogado, Puis Bissek decidiu apresentar queixa contra os seus seis concorrentes ao tribunal em Janeiro de 2003, processo que acabou por ganhar no passado dia 14 de Julho, ao fim de 7anos.
Insatisfeito com a compensação financeira da condenação, o patrão da Codilait pensa conseguir, através do recurso, aumentar a indemnização pelos prejuízos causados à sua empresa. A empresa acabou por fechar em 2004.
Mas qualquer que seja o valor alcançado será sempre insuficiente para reabilitar novamente as duas unidades de produção, uma de fabricação de latas outra de transformação de leite, da Codilait, segundo Pius Bissek.
Um livro sobre o braço de ferro entre o Pequeno Polegar da indústria africana e o peso pesado do sector alimentar mundial poderá ser a nova batalha do guerreiro, que continuará a enfrentar a Nestlé.
Estado retirou queixa contra
Em 2009, o Estado camaronês desistiu da queixa apresentada contra a Nestlé por usufruto indevido de benefícios aduaneiros na importação de leite condensado.
O leite de origem animal estava abrangido por um regime de importação mais vantajoso. Com a prova de que o leite não tinha origem animal o Estado camaronês sentiu-se lesado em vários milhares de francos CFA e meteu uma acção exigindo o pagamento dos benefícios indevidamente usufruídos pela gigante suíça.
Após quase cinco anos, o Estado desistiu da queixa deixando indignados muitos dos intervenientes do processo.Mas, apesar de tudo, a gigante suíça acabou por ser condenada.
Fonte: Revista Leite Integral
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