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Papilomatose bovina

PostDateIcon ter, 01/02/2011 - 09:09


Pesquisadores do Instituto Butantan estão testando uma vacina contra a papilomatose bovina, doença conhecida também como verrugose e que é bastante comum nos rebanhos. Em Itapetininga, São Paulo, 100 animais estão sendo monitorados.

Martin Brower é pecuarista há 30 anos. Na fazenda dele em Itapetininga, há 171 quilômetros de São Paulo, são 120 animais entre bezerros e vacas leiteiras da raça simental. Não é de hoje que Martin lida com a papilomatose, uma doença que causa verrugas nos animais e é transmitida por um vírus, o papiloma bovino. “De uns 15, 16 anos para cá, o problema se tornou mais nítido. Existem animais bastante afetados deste tempo para cá”, disse o criador.

Cerca de 50% do rebanho de Martin hoje apresenta algum sinal da doença que não tem cura. Por isso, quando ele soube que o Instituto Butantan de São Paulo estava fazendo testes para desenvolver uma vacina contra a papilomatose não pensou duas vezes. “Eu me interessei, entrei em contato e a gente desenvolveu esta parceria. Todos os outros métodos que usei não surtiram efeito e como está sendo feito este trabalho com a vacina que é uma vacina eficaz, eu realmente busquei por um efeito positivo”, contou esperançoso.

Os trabalhos de pesquisa do Butantan começaram há quatro anos. Os pesquisadores já estiveram em duas fazendas no estado de São Paulo. “O que a gente está procurando é um produto vacinal que ao mesmo tempo previna a infecção em animais que ainda não estão infectados e, eventualmente, levem a um processo de cura daqueles animais já afetados”, explicou Rodrigo de Carvalho, biólogo do Instituto Butantan.

A papilomatose não é considerada uma doença grave, mas quando não tratada pode causar tumores e servir de porta de entrada de outras infecções, que podem levar a morte do animal. “Além disso, ela tem um impacto econômico grande, tanto na cadeia do leite, do couro e também do gado de corte no sentido de que o animal se incomoda com estas lesões, perde peso, o processo de ordenha pode ficar dificultado e há uma depreciação grande no aspecto, então para a venda, o animal perde muito valor”.

 Além de aplicar a vacina, os pesquisadores também coletam amostras de sangue. “A gente está coletando para ter uma ideia melhor de como está o sistema imunológico destes bichos para recepção do produto vacinal. A nossa expectativa é que a resposta imunológica aumente gerando proteção contra uma possível infecção futura”, contou Renato Ruiz, biólogo do Instituto Butantan.

Os bezerros que não têm a doença ficam isolados dos outros animais. As vacas infectadas também receberam a vacina. No total, 100 animais vão receber duas doses e serão monitorados. Enquanto isso, os pecuaristas não podem descuidar. “A melhor forma de minimizar o problema na propriedade é separar os animais, fazer um manejo adequado”.

Os testes devem durar três anos. Só após esse período vai ser possível saber se a vacina é eficaz ou não.

Globo Rural online

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