Com a valorização do real, a indústria de laticínios vem aumentando fortemente a importação de leite em pó, que hoje está mais barato que o produto nacional. A entrada de leite em pó no Brasil mais que dobrou no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2010, passando de 10,5 mil toneladas para 23,4 mil.
O crescimento da importação é estimulado também pelo encarecimento do leite no mercado interno. O preço pago ao produtor subiu 5,55% no primeiro trimestre, passando de R$ 0,72 para R$ 0,76 o litro. E a expectativa é de continuidade dos aumentos com a entrada da entressafra, a partir de maio/junho, quando os pastos ficam secos e a produção de leite cai.
Segundo o diretor executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Estado de Minas Gerais (Silemg), Celso Moreira, o leite em pó importado custa, em média, US$ 4 mil por tonelada. Nesse patamar, a importação se tornou uma opção interessante para as indústrias de produtos lácteos, que no mercado interno pagam atualmente, em média, R$ 7.600 a tonelada do leite in natura.
Moreira analisa que a importação poderia ser ainda maior, não fosse a impossibilidade de substituir totalmente o leite in natura na indústria. Entre os produtos que não podem ser fabricados a partir do leite em pó está o leite longa vida, um dos mais consumidos pelos brasileiros. Mas outros produtos de grande consumo, como iogurtes e chocolates, podem ser fabricados com o leite importado.
Dados do Silemg mostram que, no ano passado, as importações ainda estavam abaixo de 10% de todo o leite consumido no país. Neste ano, essa participação deverá aumentar bastante, já que as importações mais que dobraram.
Enquanto crescem as importações, as exportações de leite em pó desabam. Segundo o Silemg, as exportações, que no primeiro trimestre de 2010 somaram 8.100 toneladas, no mesmo período desse ano caíram para 5.260 toneladas, redução de 35%.
Minas Gerais, maior produtor de leite do País, também registrou aumento nas importações do produto. O leite foi um dos poucos produtos a registrar resultado negativo na balança comercial do Estado no primeiro trimestre do ano. No período, o Estado importou US$ 5 milhões em leite em pó, valor 423% maior que no ano anterior, quando a importação foi de US$ 960 mil.
Para o superintendente de política agrícola da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, João Ricardo Albanez, além do câmbio e da alta do produto no mercado interno, o aumento das importações em Minas está vinculado também a questões relativas à produção. “A produção em Minas caiu neste ano em função de problemas climáticos. Com os preços mais altos no mercado interno, somado à depreciação do dólar, ficou difícil para os produtores locais competirem com o produto importado”, disse.
O presidente das comissões de leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Alvim, diz que os produtores de leite do Estado estão sendo prejudicados por esse aumento da importação.
Para ele, o principal concorrente é a vizinha Argentina, que tem tradição na produção de leite, aplica tecnologia na produção e, atualmente, usufrui de grande vantagem cambial na comparação do peso com o real. “Perdemos a competitividade no mercado internacional. Não dá para competir com a Argentina, que tem moeda mais fraca que a nossa”, afirmou.
Fonte: Leite e Negócios
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