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Produzir leite não pode ser na base do “eu acho”

PostDateIcon qui, 02/06/2011 - 16:39

Falta de profissionalismo na atividade leiteira. Em muitas propriedades brasileiras, tal fato representa decepção, frustração e prejuízo. Se o produtor é iniciante, a inexperiência no segmento e as decisões tomadas na base do “eu acho” podem traduzir-se em produção de leite desproporcional à expectativa de receita. O motivo para isso? De acordo com o professor Vidal Pedroso de Farias, a falta de procedimentos padronizados, de um estudo de viabilidade econômica e a concepção de que tirar leite é fácil, basta ter vacas.

“Certa vez, um criador de suínos decidiu investir também na produção leiteira, pois sua atividade enfrentava mais uma crise de preços”, exemplificou o professor. Era em tempos de valorização no mercado internacional de lácteos, quando problemas climáticos e maior consumo europeu baixaram as exportações do continente. Ao mesmo passo, o Brasil vivia a falta de leite no mercado interno. “Foi neste clima favorável que o suinocultor resolveu entrar na nova atividade (...)”, destacou Vidal.

O criador construiu estábulo e sala de ordenha, plantou pastos, semeou milho para silagem, comprou máquinas agrícolas e pagou caro por 15 novilhas leiteiras de boa procedência. Tentou ser cauteloso, iniciando a atividade em pequena escala. Porém, a euforia da rotina de um produtor de leite iniciante o fez esquecer possibilidades de perdas. “Em nenhum momento de suas explicações, ele fez menção de que o investimento realizado para a experiência com a produção de leite era desproporcional à expectativa de receita (...)”, contou o professor.

Com uma produção máxima de 370/400 litros diários, a quantidade iria declinar naturalmente com o passar do tempo, pois as novilhas iriam parir num período de dois meses e, em alguns períodos, as despesas operacionais são seriam cobertas pela produção. “Estava claro que não houve planejamento da atividade e que não existia conhecimento do comportamento da produção de leite durante o período de lactação”, avaliou Vidal.

Experiência e planejamento

A experiência sobre o fim do encantamento com a atividade leiteira fez com que o criador recusasse uma nova proposta de negócio, tempos depois: a compra de 158 leitoas para uma criação experimental de suínos. A resposta dada pelo produtor foi de que “não era possível estabelecer uma atividade em pequena escala sem planejamento ou assistência técnica porque a iniciativa era complexa e exigia a observância de protocolos bem conhecidos”, descreveu o professor.

O bom senso da tomada de decisão não teria surgido quanto à produção de leite porque “na atividade leiteira, ele tinha visitado inúmeras fazendas, cada uma delas, com um conceito diferente, e havia formado uma boa ideia, possibilitando que ele mesmo fizesse adaptações para sua propriedade”, acrescentou Vidal. O produtor contratou até um funcionário com bastante experiência para estabelecer o manejo de leite.

De acordo com o professor, o produtor falou que estudo de viabilidade econômica ficou para trás, visto que a atividade era exploratória, para futuras tomadas de decisão. “Mesmo sem dizer nada, estava implícito que para ele o profissionalismo exigido para a exploração de suínos não era necessário para a produção de leite”, constatou Vidal Pedroso de Farias. A postura deste produtor, segundo o professor, pode ser encontrada em fazendas de todos os portes, que não usam tecnologia aplicada.

“Aplicar tecnologia significa empregar conceitos científicos sedimentados e gerenciamento racional da fazenda. Se assim for encarada, a produção de leite não será diferente de qualquer outra atividade do agronegócio”, considerou.

 Fonte: Leite & Negócios

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