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Quase metade do leite não atinge meta de qualidade

PostDateIcon sex, 08/07/2011 - 16:26

A qualidade do leite produzido no Brasil ainda não cumpre a meta de uma instrução normativa (IN 51/2002) do Ministério da Agricultura que estabelece condições mínimas para a produção. Segundo os dados mais recentes, apresentados no ano passado no IV Congresso Brasileiro de Qualidade do Leite, cerca de 40% das amostras analisadas em 2009 e 2010 não atendiam aos critérios de qualidade exigidos.

A recomendação propõe uma redução gradativa da concentração de células somáticas de organismos vivos (como de pele, por exemplo) por unidade de leite. A meta era que, em julho de 2011 - nove anos após a medida, que é de 2002 -, a concentração fosse de 100 mil células somáticas (CCS) por mililitro de leite. Em 2005, a instrução era de 1 milhão por mililitro. Um novo prazo foi dado aos produtores, que agora têm até o fim do ano para se adequarem.

Segundo o presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Leite e da Comissão de Leite da Federação da Agricultura de Minas Gerais (Faemg), Rodrigo Alvim, o leite brasileiro ganhou qualidade desde a regulamentação da instrução normativa. Ele afirma que a responsabilidade pelo não cumprimento da meta tem de ser compartilhada entre produtores e governo.

"É difícil cobrar do produtor quando não há estabilidade de energia elétrica na zona rural durante o processo produtivo. Durante alguns meses do ano, as estradas não estão em condições de escoar a produção. E as próprias pessoas encarregadas de fazer a coleta do leite para verificação da qualidade não têm capacitação adequada e contaminam as amostras”, afirma. Apesar disso, diz, o leite é de excelente qualidade e não oferece risco ao consumo.
QUEIXAS
Custos de produção e de pessoal entravam
A empresa de consultoria Pricewaterhouse Cooper (PwC) divulgou uma pesquisa em que lista as principais dificuldades e incentivos apontados pelos produtores rurais. Entre as principais dificuldades estão a gestão da propriedade, os custos de produção do leite e a eficiência da mão de obra. Quando questionados sobre fatores externos que dificultam a produtividade, foi citada a falta de mão de obra qualificada, a questão cambial, a importação do leite e as flutuações de preços e custos de produção.

"Os principais obstáculos dos produtores de leite são a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada no campo e a insegurança fiscal e financeira para fazer investimentos a longo prazo”, diz o sócio da PwC e líder do setor de agrobusiness da empresa, José Rezende. "O problema da mão de obra é um círculo vicioso. Não existe qualificação por falta de boa remuneração ou os salários são baixos porque não há qualificação?”, questiona. (PG).

Fonte: Revista Leite Integral 

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