A “triangulação de mercadorias”, ou seja, comprar de um país e vender como se fosse de sua própria produção. A prática, que tem sido recorrente no Mercosul, aliada ao registro de US$ 371 milhões em leite comprados pelo Brasil no primeiro semestre, está preocupando o setor lácteo nacional.
Tentar impedir a triangulação e fechar as portas do País para entrada de grandes volumes de leite tem sido foco de representantes do segmento. Diminuir a cota de importação da Argentina é um dos objetivos. "Nós fizemos uma reunião no RS para tratar dessa limitação, porém, os fornecedores não aceitaram o acordo. Na verdade o leite que está entrando no Brasil não altera muito o mercado, o medo é que a Argentina faça a triangulação, trazendo leite de outros países trocando a embalagem e mandando para o Brasil. Vamos acompanhar a produção da Argentina, o consumo, e as exportações, para sabermos se é possível exportar o que eles mandam para cá", disse o presidente da Leite Brasil, Jorge Rubez.
Enquanto as discussões com a Argentina acontecem, o Brasil importa grandes quantidades para suprir a demanda interna, que hoje totaliza quase 32 bilhões de litros. A produção brasileira deve atingir este ano 31 bilhões de litros, contra os 30 bilhões do ano passado. A diferença entre este ano e o ano passado não está na quantidade que foi importada, e sim, no preço pago pelo produto.
Balanço de preços
No primeiro semestre deste ano o País importou 84,4 milhões de toneladas, e pagou por isso o equivalente a US$ 371 milhões. No ano passado inteiro as compras foram de 112 milhões de toneladas, com gastos registrados de US$ 326 milhões. "O preço médio do leite em pó que é o principal produto exportado, apesar das recentes quedas no mercado internacional, está mais alto que o ano passado. Na Europa e na Oceania, que são os principais exportadores de leite do mundo, o valor do leite em pó estava na média US$ 4,8 mil por tonelada, e no ano passado US$ 3,6 mil por tonelada", disse Rafael Ribeiro analista da Scot Consultoria.
A Argentina fechou este semestre com participação de 49,5% no valor total das importações, seguida pelo Uruguai com 23,8%, Chile com 3,7%, França com 2,9%, e Estados Unidos com 1,4%. Para Ribeiro, o Brasil deve fechar o ano com um volume de importação de lácteos superior a 140 milhões de toneladas.
No mercado interno os valores do produto também seguem em alta, acumulando, neste primeiro semestre, alta de 11%. A média do preço ao produtor nesse primeiro semestre foi de R$ 0,77 por litro, contra os R$ 0,69 do ano passado. Entretanto os custos de produção estão 41% mais altos este ano na comparação com o ano passado, fator que diminui os ganhos do produtor. "Hoje o Brasil está pagando mais de R$ 0,80 o litro que seria muito bom para o produtor, o grande problema está no custo de produção, pois alguns estados como São Paulo sofrem demais com a alta das commodities", contou Rubez.
Fonte: matéria adaptada do DCI – Diário do Comércio e Indústria
Fale Conosco | Política de Privacidade
Embrapa Gado de Leite e Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais
Copyright © 2012 CILeite - Centro de Inteligência do Leite. Todos os direitos reservados.