“A unidade produtiva deve garantir recursos financeiros para pagar o investimento feito em sua criação ou aquisição e ainda possibilitar sobras para que a atividade seja interessante”. A afirmação é feita pelo professor Vidal Pedroso de Farias ao explicar que a vaca, além de produzir bem, precisa gerar renda, contribuindo de forma efetiva para a economia do processo produtivo.
O professor faz um balanço entre a produção por lactação e a reprodução regular da vaca. Ele exemplifica usando números: uma matriz que produziu 100 mil litros de leite e 10 crias em 10 anos gerou uma receita de, aproximadamente, 27,4 litros por dia e 10 mil litros em cada ano. “A reprodução regular é a característica mais importante para que uma matriz seja considerada como boa produtora de leite (...)”, diz. O cálculo da contribuição de cada animal é feito dividindo a produção por lactação pelo intervalo entre partos em dias.
Nutrição, sanidade e conforto são, segundo Vidal, os principais fatores para a garantia de uma reprodução normal, que consiste em “volta ao cio em prazo suficiente para garantir nova prenhez de 85 a 100 dias após o parto, de modo a garantir um intervalo próximo de 12 meses”. Ele ressalta a importância em interpretar o significado da produção por dia de intervalo entre partos, com o intuito de quantificar seus efeitos sobre a geração de renda.
Uma deficiência em muitas fazendas diz respeito aos cálculos mencionados pelo professor. Os cálculos praticados são feitos apenas referentes às médias diárias de vacas em lactação, desprezando a produção por vaca do rebanho. Este índice pode indicar o quanto de leite deixa de ser produzido por problemas de reprodução e ineficiência da exploração das vacas do rebanho.
“Para efeito de estimativa, pode-se considerar um valor monetário equivalente à meia bezerra por lactação, já que a expectativa é de nascimento de 50% das fêmeas. Do total da renda amealhada, deverá ser descontado o custo total de produção, para se estimar a sobre e então, o tempo necessário e a possibilidade de pagar do investimento”, explica Vidal. A avaliação sobre o valor da vaca apenas com base no leite produzido numa lactação é uma informação isolada.
O risco de pagar caro por um animal sem saber qual o seu real potencial produtivo e reprodutivo é muito alto. “Informações pro0mocionais como registro genealógico, pedigree, produção por lactação ou na vida adulta nem sempre informam corretamente e devem ser olhadas com cuidado quando utilizadas para analisar se a vaca pode ser considerada como boa de leite”, conclui o professor
Calculando...
Com o exemplo da vaca que produz por lactação 10 mil litros e em 10 anos apresenta somente cinco crias, sua participação na geração de renda cai para 13,7 litros por dia. Com 10 crias no mesmo período mencionado, a produção será de 27,4 litros, como já mencionado. Se os dados representassem médias do rebanho e se o mesmo fosse composto por 100 matrizes, 1.370 litros deixariam de ser produzidos por ano.
Com uma produção anual de 10 mil litros de leite, a matriz teria garantido uma renda de R$ 7.500, considerando um preço médio para o leite de R$ 0,75/litro, além do valor da bezerra que irá acrescentar ao rebanho.
Fonte: Leite e Negócios
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